segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

OS FILHOS DE COMAGENE V

Além de Gaio Júlio Arquelao Antíoco Epífanes e Gaio Júlio Mitridates Calínico, o Rei Antíoco IV Epífanes teve uma filha, Júlia Iotapa, de quem se desenvolveu o ramo oriental da Casa Real de Comagene que sobreviveu a extinção do reino em 72 d.C.


Júlia Iotapa (c.45 d.C)


Princesa de Comagene, filha do rei Antíoco IV Epífanes e da rainha Júlia Iotapa. Seu pai foi aliado do imperador Nero (54-68) e de vários membros da dinastia Herodiana da Judéia. Entre 58-59, houve uma guerra civil no reino da Armênia na qual estavam em jogo os interesses das duas maiores potências do mundo de então:

o Império Romano e o Império Parto. As potências apoiavam monarcas distintos ao trono. Por fim, a maioria dos armênios tinha abandonado a resistência e queriam a paz sendo mais favoráveis a Roma, o que incluía a aceitação de um príncipe para ser coroado por Nero (imagem ao lado) para ser o novo rei da Armênia. Antíoco IV (imagem abaixo) tinha participado ao lado dos romanos na questão da Armênia. Nero coroou em Roma como o novo rei armênio um príncipe chamado Júlio Tigranes, o qual arranjou com Antíoco IV o casamento de seu filho, Gaio Júlio Alexandre, com a filha deste, a princesa Júlia Iotapa. O casamento entre Alexandre e Iotapa foi sobretudo uma aliança política que ocorreu entre os pais dos noivos e possivelmente Nero, assegurando favoravelmente à Roma a “paz” com aliados de peso contra possíveis ataques dos partos.

Depois que Júlio Tigranes foi coroado rei da Armênia, Alexandre e Iotapa casaram-se em Roma. Nero os coroou como rei e rainha de Cetis. Cetis foi uma pequena região na Cilícia que foi anteriormente governada pelos reis de Comagene. No entanto, a cidade romana Elaiussa Sebaste na Cilicia foi construída fora da jurisdição de seu reino. Tiveram três filhos: Gaio Júlio Agripa, Gaio Júlio Alexandre Bereniciano e Júlia. Iotapa e Alexandre governaram Cetis de 58 até pelo menos 72 e ainda estavam vivos quando da queda de Nero e a ascensão da dinastia flaviana ao governo do Império Romano (69-96). Um possível descendente de Iotapa foi o usurpador do 3º século Jotapiano.



Gaio Júlio Agripa (c. 72 - c.150 d.C)


Filho de Alexandre e Júlia Iotapa, reis de Cetis, e portanto, neto de Antíoco IV de Comagene, Agripa nasceu, cresceu e foi educado em Cetis. Agripa como seu irmão e pai eram apóstatas do Judaísmo. Contudo, o seu nome indica que as conexões com a Dinastia Herodiana, da qual também tinham ascendentes, não foram inteiramente quebradas. É improvável que Agripa tentasse exercer influência política na Judéia. Há uma inscrição honorífica dedicada a ele como “um filho do rei Alexandre”. Agripa casou-se com uma mulher romana que pertenceu ou esteve relacionada à gens Fábia, uma das mais antigas de Roma. Deste matrimônio Agripa teve dois filhos, Gaio Júlio Agripa, o jovem, e Lúcio Júlio Gainio Fabio Agripa.
Em 94, Agripa junto com seu irmão Bereniciano, introduziu-se no Senado Romano. Há inscrições que revelam a carreira de Agripa no mundo romano. Agripa serviu como questor (responsável pelos impostos) da província romana da Ásia. Em 109, Agripa serviu como guarda pretoriano (guarda pessoal do imperador) e posteriormente serviu de um cônsul suplente. No mesmo período, seu parente Filopapo também ascendia nos cargos públicos romanos.



Gaio Júlio Alexandre Bereniciano (entre 75 e 150 d.C.)


Nascido e criado em Cetis, como seu pai e irmão, Bereniciano apostatou do Judaísmo. Bereniciano juntamente com seu irmão Agripa introduziram-se em 94 no Senado Romano. Inscrições sobreviventes revelam também a carreira de Bereniciano. Bereniciano serviu como cônsul suplente em 116. Entre 132-133, ele foi procônsul da província romana da Ásia. Quando Bereniciano era procônsul da Ásia, ele parece ter sido um patrono das artes. Durante seu governo, Judas Ciríaco, bispo de Ancona (Itália) morreu ou foi martirizado em um motim durante uma peregrinação à Terra Santa em 133.


Júlia Iotapa (entre os séculos I e II d.C.)


Filha dos reis de Cetis, Alexandre e Iotapa, era descendente das casas reais da Armênia, Judéia, Capadócia e de Comagene. Casou-se com o gálata romanizado Gaio Júlio Quadrato Basso (70 - 117), que foi um legado romano na Judéia entre 102/103 e 104/105, cônsul de Roma em 105 e procônsul da Ásia em 105. Com ele Júlia Iotapa teve uma filha chamada Julia Quadratila (c. 100). Esta casou-se com Gaio Júlio Lupo T. Víbio Varo Levilo (95 - 132). Eles perpetuaram o sangue real de Comagene em seus filhos:
A. Júlio Amintas, nobre de Éfeso;
A. Júlio Cláudio Carax (115 - 147), cuja filha Júlia casou-se com o senador Gaio Asínio Rufo (110 - 136) que tiveram por filho A. Júlio Próculo (120 - 156), nobre de Éfeso, casado com Claudia Basilo (c.125).
Abaixo mapa do Império Romano aproximadamente no tempo do período abrangido:



FONTE: Wikipédia. Versão em inglês.

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